domingo, 12 de outubro de 2014

A guerra das cores de França e Portugal

in cage8.com
Há coisas que são, no mínimo incompreensíveis. Uma bandeira tem uma simbologia própria e todo o seu design tem um conjunto de significados específicos. Se não vejamos:

A bandeira portuguesa é a bandeira nacional da República Portuguesa. Apresenta um rectângulo bicolor dividido de forma desigual em verde na tralha, e vermelho na batente. Centrado no limite das cores, está o brasão de armas (Esfera armilar e Escudo português), a uma distância igual das bordas superior e inferior.

in wikipedia.org
Este foi o projecto aprovado depois da queda da monarquia, em 5 de Outubro de 1910. A bandeira da monarquia era branca e azul.

A conjugação do novo domínio de cores representou uma mudança radical com o azul e branco da monarquia religiosa, adoptando-se as cores do Partido Republicano Português (verde e vermelho). Por sua vez, o verde passou a ser referido como representação da esperança da Nação e o vermelho como o sangue daqueles que morreram em defesa da república.

Saiba mais sobre a bandeira de Portugal aqui.

in maisfutebol.iol.pt
Posto isto, não compreendo como se pode ceder a pressões e interesses de marketing para alterar a identidade de uma bandeira. Refiro-me concretamente ao equipamento da selecção portuguesa que passou do verde e vermelho da República para o azul e branco da monarquia.

No caso da França, camisola azul, calções brancos e meias vermelhas têm as três cores da bandeira nacional francesa. No caso de Portugal, camisola e meias brancas e os calções azuis. Aqui apenas vejo as cores da monarquia, ainda que o escudo português tenha estas cores. O problema é que não são cores predominantes.

in publico.pt
É claro que sei que este (branco e azul) é o equipamento alternativo ao principal, mas até o principal foge à tonalidade de cores, não apresentando praticamente o verde. Este aparece apenas na gola e na bainha das mangas e internamente. A ideia que fica é que a "esperança" deixou de existir e deu lugar quase por completo ao "sangue".

Continuando, todos sabemos que o futebol é uma indústria muito valiosa e, como tal, sujeita-se à lei do mercado, em que tudo assenta numa política de negócios rentáveis, como o merchandising.

Agora, outra coisa que me custa aceitar é o uso de um equipamento alternativo quando o equipamento do adversário em nada se confunde com o nosso. Que sentido faz jogar de branco-e-azul com uma selecção que se equipa de azul-e-branco? Então faria todo o sentido jogar com o equipamento principal vermelho às riscas bordeaux.

Infelizmente, por força dos interesses das marcas, patrocínios, etc., abandonou-se o propósito dos equipamentos alternativos (estes sim, têm forçosamente de serem diferentes do equipamento habitual ou original de uma equipa ou selecção). Um pouco como acontece com as cores das chuteiras e deixaram o tradicional preto, podendo cada jogador optar pela cor que bem entender, mesmo que este desvirtue o restante equipamento.

Moral da história: até no duelo de bandeiras saímos a perder...
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