domingo, 17 de março de 2013

Animais: A "tartaruga de orelhas vermelhas"


[Nota: Todas as imagens foram recolhidas no googlee e em fóruns de animais em 2005, para efeitos de salvaguarda de direitos de autor.
O presente artigo foi escrito no âmbito de um concurso e foi publicado num fórum sobre tartarugas].

Foto 1: Pormenor das manchas vermelhas.

Bilhete de Identidade:
Nome: Tartaruga de Orelhas Vermelhas
Origem: Estados Unidos até ao norte da América do Sul
Nome Científico: Trachemys scripta elegans
Especificidades:
Reino: Animalia; Filo: Chordata; Sub filo: Vertebrata
Classe: Reptilia; Ordem: Testudines; Família: Emydidae
Género: Trachemys; Espécie: Scripta; Subespécie: Elegans

A "tartaruga de orelhas vermelhas" é, provavelmente, a tartaruga de maior expressão mantida como animal de estimação em todo o mundo. Pode ser facilmente reconhecida pelas manchas vermelhas existentes logo atrás dos olhos (ver foto 1).

Foto 2: Vista do plastrão ou casco inferior.

Outra característica marcante é a mancha escura em cada escudo que forma o plastrão ou casco inferior (ver foto 2). Estas manchas vão tornando-se menores e com os contornos menos visíveis à medida que o animal cresce. Possuem a carapaça relativamente achatada, com um verde intenso nos exemplares jovens (ver foto 3). Do mesmo modo, essa intensidade de cor vai-se esbatendo com o desenvolvimento da tartaruga, ficando a carapaça com um tom “verde-azeitona-acinzentado” (ver foto 4).

Foto 3: Exemplar jovem.

Foto 4: Exemplar adulto.

Possuem a cabeça, pescoço e membros com linhas que variam do branco ao verde-claro. Têm o hábito de se exporem ao sol (ver foto 5), deslizando rapidamente para a água ao menor sinal de perigo, e recebendo, por isso, o nome inglês de Red Eared Slider.

Foto 5: Tartarugas a apanharem banhos de sol.

Existem ainda exemplares albinos, muito raros (ver foto 6).

Foto 6: Tartaruga albina.

No entanto, apesar da sua propagação, actualmente esta espécie está em vias de extinção e, consequentemente, encontra-se protegida. Como tal, está suspensa a sua captura e venda. No mercado, resistem alguns exemplares de particulares que as adquiram há alguns anos e que, por múltiplas razões, já não as podem ter.

Cuidados a ter

A "tartaruga de orelhas vermelhas" é um réptil. Os répteis são animais de sangue frio e, como tal, para que possam regular a sua temperatura interior, necessitam de uma exposição solar diária.

Do mesmo modo que necessita do sol, também precisa de água. Se um serve para aquecer, o outro serve para arrefecer. Ou seja, estes dois factores são fundamentais para qualquer tartaruga aquática.

O sol, além de permitir a auto-regulação da temperatura do corpo, accionando os mecanismos vitais da tartaruga, contribui ainda para a assimilação da vitamina A, indispensável para o bom desenvolvimento da carapaça e ossos.

Alimentação 

O alimento que mais se encontra à venda nas lojas de animais, hipermercados, entre outros estabelecimentos é o gammarus (camarão de água doce liofilizado). Erradamente, este alimento normalmente tem sido apresentado como o único alimento indicado para tartarugas, mas o seu valor nutritivo praticamente nulo apenas serve para que as tartarugas comam desenfreadamente e se mostrem literalmente esfomeadas. De facto, vai notar que a sua tartaruga com esta alimentação estará sempre a pedir mais comida.

A resolução deste problema passa, em primeiro lugar, por compreender que as tartarugas no seu habitat natural terão logicamente outras fontes de alimento. Para além dos camarões de água doce, a sua dieta alarga-se a plantas, peixes, insectos, invertebrados (minhocas, lesmas, caracóis), entre outros.

Assim, encontramos no mercado os sticks e outros granulados (composto multi-vitamínico de vários alimentos de origem vegetal e animal), que são muito mais completos que o gammarus. No entanto, mesmo assim, muito mais há que a sua tartaruga poderá comer.

Para que a sua tartaruga tenha uma alimentação equilibrada, teremos de ser nós a proporcionar-lhes uma dieta rica em proteínas.

Eis alguns dos alimentos mais indicados:
  • Carne de vaca (carne magra; evitar a carne de porco, pois a gordura é prejudicial às tartarugas);
  • Peixe cru (de preferência peixe de rio; arenque ou pescada);
  • Invertebrados (caracóis, lesmas e minhocas);
  • Tubifex;
  • Vegetais (espinafres, alface, cenoura);
  • Frutos (maçã, pêra, pêssego, kiwi).
Pode-se ainda administrar suplementos vitamínicos (em gotas, a colocar directamente na água ou mesmo na comida) e cálcio (em tabletes ou a partir de ovos de codorniz ou galinha).

Para finalizar, convém referir que a máxima “tudo o que é em excesso, faz mal” também se aplica às tartarugas. Por isso, tenha isso em conta ao estabelecer horários e definir critérios para a sua alimentação.

Doenças

De uma forma geral, as doenças são partilhadas entre as várias tartarugas aquáticas e semi-aquáticas. Enumeramos as principais:

Carapaça Mole
É natural que os exemplares bebés tenham a carapaça mole no bordo traseiro da parte superior, mas se toda ela ou grande parte estiver assim, é conveniente dar muito cálcio e dar banhos frequentes de sol ou lâmpada. O cálcio pode dar-se sob a forma de tabletes ou então de gotas, como suplemento vitamínico.

Conjuntivite/Pálpebras Inchadas
Deixa de ver, de se mexer e comer. Geralmente, deve-se à falta de vitamina A, mas também parece estar relacionada com a falta de higiene, de sol e com a existência frequente de cloro na água. Também pode ser sintoma de algumas doenças (ex: respiratórias). Tratamento: dar vitamina A (líquidos que se colocam na água e/ou nos alimentos ou por injecção no veterinário), aplicar pomadas oftálmicas (farmácia) ou líquidos nos olhos, manter uma boa higiene, dar uma alimentação rica e banhos de sol ou de lâmpada; se for sintoma de alguma doença - curar simultaneamente a doença.

Corrimento Nasal das Tartarugas
Rinites virais, pneumonias e até mesmo intoxicações podem fazer com que o animal apresente este tipo de secreção. A doença pode começar com algo similar ao um resfriado, e em alguns casos, podem agravar, levando o animal a ter uma pneumonia. A secreção sai pelas narinas, formando bolhas. O animal também pode flutuar inclinado, indicando que um dos lados do pulmão está sem as suas condições normais.

Descamação da Carapaça
Em condições normais não apresentará qualquer doença, uma vez que é uma situação normal nos répteis. No entanto, se a muda for anormal (aos pedaços por exemplo) deve recorrer imediatamente a um veterinário, pois podemos estar perante a acção de ácaros ou carraças.

Desprendimento de Placas
Causada devido a um traumatismo ou lesão perfurante que abre portas para os ataques de fungos e bactérias, necrose e, consequentemente, perda de placas.

Doenças Respiratórias
Poderá apresentar alguns ou todos estes sintomas: sempre fora de água; não come; se colocada na água, bóia de lado (pois o pulmão mais afectado está mais pesado que o outro e não se enche tão bem de ar); expectoração no nariz e/ou boca, por vezes em forma de bolhinhas; pálpebras inchadas; emissão de silvos sonoros; em fase mais avançada, estica o pescoço e abre a boca, com falta de ar. Causas: correntes de ar, mudanças bruscas de temperatura, contágio por outros animais, fungos internos. Tratamento: tem de ser rápido, pois é uma doença muito grave para a tartaruga - isolar para não contagiar as outras; colocar em recipiente com água muito baixa, permitindo-lhe que ponha a cabeça for a de água; aquecer o ambiente, mantendo a temperatura constante entre 25-27ºC (com a ajuda de uma resistência com termostato ou de um cabo de borracha Kablotherm ou ainda de uma lâmpada) e mais húmido (tapar cerca de 2/3 o aquaterrário); dar antibiótico no veterinário; fazer vaporizações 2-3 vezes/dia, cerca de 8 min. cada (com eucalipto, mentol, etc, mas sem álcool, que pode intoxicar a tartaruga); cuidado para não a queimar; se parecer piorar com a vaporização (aumento de falta de ar), parar; colocar, 2-3 vezes/dia, 1-2 gotas de soro fisiológico nas narinas; se o engolir não faz mal.

Falta de Apetite
Não chega a ser uma doença, mas sim um sintoma de várias delas. A baixa no metabolismo do material é apenas um dos fatores que contribuem com a falta de apetite, mas ele pode estar relacionado a coisas muito mais graves. Procure manter a temperatura do aquaterrário entre 24º C e 28º C, e se o problema persistir, procure por um especialista.

Feridas na Pele / Carapaça
Estancar o sangue com água oxigenada, desinfectar com Betadine, 2-3 vezes/dia, deixando a secar pelo menos 30 minutos ou pôr pomada Halibut; manter em boas condições de higiene; em caso de grande gravidade, colocar o animal fora de água com alguma humidade, dando um banho diário de 15 minutos.

Fezes Líquidas e com Cheiro Intenso
Estas situações poderão ser causadas por uma infecção na zona intestinal e pode ser tratada através de medicações específica que o seu veterinário lhe receitará após analisar as fezes do animal. Deve também efectuar uma desinfecção profunda a todo o terrário.

Fungos na Carapaça
Manchas esbranquiçadas ou escuras, geralmente devido à falta de higiene e de sol directo e/ou ao contágio por outros animais. Tratamento: isolar, para não pegar às outras, melhorar a higiene, dar banhos de sol ou lâmpada, besuntar a zona infectada, depois de bem seca e um pouco à roda, com Betadine 2-3 vezes/dia e deixar secar durante, pelo menos, 30 min. Continuar o tratamento por mais 15 dias depois de desaparecidos os sintomas, para evitar reincidências.

Fungos na Pele
Manchas brancas ou amareladas. Causas e tratamento com em cima. Se junto aos olhos, muito cuidado para que o Betadine não entre neles, para não arder e/ou prejudicar a visão.

Hipovitaminose A
Causada pela falta de vitamina A. Com uma dieta pobre, a tartaruga sofrerá perda de epitélios, causando conjuntivite (edema nas pálpebras), deixando-as com olhos fechados. Agrião, couve e escarola (verduras de coloração verde escura em geral) são alguns exemplos de alimentos ricos em vitamina A. As rações industrializadas também fornecem uma quantidade adequada desta vitamina.

Malformações Ósseas
Devidas a dietas incorrectas ou a falta de sol. Podem originar o amolecimento da carapaça e deformações das extremidades.

Pneumonia
Causado por correntes de ar a que as tartarugas são especialmente sensíveis, pode ser facilmente detectado pela respiração ruidosa da tartaruga e pelo aparecimento do bolhas no nariz e garganta. Deve recorrer rapidamente a um veterinário.

Podridão da Carapaça
Também causada pelas condições inadequadas de higiene e humidade dos ambientes. Tanques com fundo de cimento ou aquaterrário com substrato muito ásperos não devem ser usados. Ofereça sempre superfícies um pouco lisas, para as tartarugas, pois com a carapaça ferida, podem ocorrer ataque de bactérias e fungos. A rugosidade desta superfície não pode ser totalmente lisa, como azulejos, pois as tartarugas poderão escorregar e sofrer também traumatismos.

Prolapso da Cloaca/Pénis
A cloaca é arredondada e avermelhada e o pénis é grande e escuro. Pode sair só um órgão ou os dois, devido a alguma ou várias destas causas: enfraquecimento generalizado, raquitismo, falta de exercício, diarreia, prisão de ventre, ferida. Se o pénis sair durante pouco tempo, pode ser normal, senão deve-se levar ao veterinário, para que este reintroduza o/os órgão/s na fenda cloacal, com anestesia local e dê alguns pontos (sutura), para que não voltem a sair. Em caso de infecção e laceração grave, deve-se amputar. Durante pelo menos 1 semana, dar só alimentos líquidos. Melhorar a qualidade da alimentação e dar cálcio.

Otite
São causadas por agentes infecciosos que se encontram na água suja.

Foto 7: Pormenor das unhas de um exemplar macho.

Reprodução

Tal como todas as espécies de tartarugas, a Tartaruga da Orelhas Vermelhas é ovípara.

Uma questão pertinente para a reprodução prende-se com a definição do sexo das tartarugas. No caso das tartarugas de orelhas vermelhas, o macho é o que melhor permite esta distinção, pois possui as unhas das patas da frente bem salientes e muito longas, sendo usadas para estímulo sexual, através da sua colocação no bico da fêmea ou para a apreensão da fêmea no acto da cópula (ver foto 7).

Os machos apresentam também a cauda mais comprida e, por vezes, expõem o pénis ao defecar. Este assemelha-se a um órgão em forma de ponta de flecha.

Caso possua uma fêmea ou um casal de tartarugas aquáticas e elas possuam um local grande para viver, como um tanque ou piscina, é conveniente fornecer um local de terra para a fêmea pôr os ovos (ver foto 8). Deste modo, ela não terá problemas de saúde.

Foto 8: Exemplo de um aquaterrário com uma parte com terra para a desova.

Aquaterrário

Como vimos anteriormente, os répteis necessitam de exposição solar e as tartarugas de orelhas vermelhas não são excepção.

Uma chamada de atenção: a exposição solar não deverá ter a interferência de vidros, pois estes filtram quase totalmente as radiações UV, que permitem precisamente assimilar a vitamina A.

Se optar por um aquário de interior deverá considerar a importância da localização do aquaterrário. Assim, este deverá situar-se junto a uma janela, para que a tartaruga possa apanhar banhos de sol.

Na impossibilidade de cumprir este requisito, poderá recorrer a lâmpadas especiais que emitem calor e também raios UV (ver foto 9). O único inconveniente é que, ao fim de algum tempo, estas lâmpadas deixam de emitir estas radiações, devendo então ser substituídas.

Foto 9: Lâmpada UV. 

Manutenção

Os aquaterrários devem ser equipados com sistemas de filtragem para conservação da qualidade da água.

À medida que a dimensão do aquaterrário e o volume de água aumenta, constatamos a necessidade de recorrer a potentes filtros de água, não só para as tartarugas aquáticas, mas também para as semi-aquáticas. Normalmente, um filtro que debite o triplo do volume de água do aquaterrário por hora é o ideal.

A melhor solução é a utilização de um filtro exterior (ver foto 10), pois facilita a sua limpeza, assim como não causa stress à tartaruga devido ao ruído produzido.

Foto 10: Exemplo que um aquário com um filtro exterior.


Paralelamente, regulares mudas parciais de água e o controlo do PH são fundamentais para assegurar um bom nível de higiene do líquido precioso de que depende a vida.

Tamanho

Considerando que as tartarugas de orelhas vermelhas atingem entre os 25 e os 30 cm em cativeiro (ver foto 11), e chegam até aos 40 cm na natureza, as dimensões consideradas minimamente aceitáveis para a tartaruga regem-se pelos seguintes factores:
  1. Comprimento: 5 vezes o tamanho do comprimento da tartaruga.
  2. Largura: 3 vezes o tamanho da largura da tartaruga.
Mas tenha em conta que quanto mais espaçoso, melhor.

Foto 11: Diferença de tamanhos entre uma tartaruga adulta e um exemplar jovem.

Convém nunca esquecer de proporcionar partes secas, com areia ligeiramente profunda para a desova, para além de ilhas de pedra na parte aquática.

As tartarugas aquáticas passam a maior parte do seu tempo dentro de água, alimentando-se exclusivamente nela. Apenas deixam a água para se aquecerem ao sol ou para desovarem em terra (aliás, como fazem todas as espécies de tartarugas).

A decoração deverá incidir na predominância de água, com plantas comestíveis (ver foto 12) e ilhas onde poderão subir para tomar banhos de sol, vitais para o bom funcionamento do organismo das tartarugas.

Foto 12: Plantas aquáticas.

Água

A temperatura da água deve estar entre 24º-28ºC. Uma resistência com termóstato assegura este requisito. A profundidade, pelo menos, deverá ser 2 ou 3 vezes o tamanho do comprimento da tartaruga. No entanto, sendo as tartarugas aquáticas óptimas nadadoras, quanto mais água se puder dar, melhor, pois assim elas terão uma total liberdade de movimentos, prevenindo também a ocorrência de stress.

Para além da temperatura, há que ter em conta a qualidade da própria água.

Geralmente, a água utilizada nos aquaterrários é da torneira e contém Cloro e outros químicos, para além das suas propriedades mudarem consoante a região do país. Por exemplo zonas mais calcárias, etc. Daí que compostos como o Amoníaco (a substância mais frequentemente responsável por maus odores) e os Nitratos devem ser reduzidos ao máximo de modo a não contaminarem a água, pois apresentam elevados níveis de toxidade. Daí resulta a necessidade da qualidade da água ser controlada, de modo a simular-se as condições óptimas para a tartaruga. E para isso, encontram-se à venda produtos que anulam ou minimizam a presença desses químicos a permitem manter o nível de PH aceitável.

Temperatura

A temperatura do ar deverá estar entre 25º e 30ºC.

No caso de uma aquaterrário, torna-se mais fácil assegurar este requisito, através da colocação de uma tampa que tape apenas dois terços, para também permitir uma ventilação adequada sem correntes de ar.

Em ambientes exteriores, tenha sempre o cuidado de proporcionar zonas de abrigo para proteger as tartarugas tanto do vento como também do sol. Apesar de necessitarem da exposição solar, as sombras constituem igualmente abrigos apreciados pela tartaruga (ver foto 13).

Foto 13: Abrigos exteriores (sombra).

Espécies compatíveis 

À excepção das espécies predadoras, como a "Tartaruga-Aligátor" ou "Tartaruga-Caimão" (ver foto 14), com subespécies cujo nome científico são as Chelydra e as Macrochelys, de uma forma geral todas as tartarugas são animais pacíficos, podendo conviver com elementos de outras espécies.

Foto 14: Tartaruga-Aligátor.

Tratando-se de tartarugas aquáticas, convirá escolher outras tartarugas aquáticas, salvo se as condições espaciais permitirem a convivência de tartarugas semi-aquáticas, que vivem em zonas de pouca profundidade e com muita vegetação.
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