domingo, 17 de março de 2013

O Aquaterrário Ideal

[Nota: Todas as imagens foram recolhidas no google em 2004, para efeitos de salvaguarda de direitos de autor.
O presente artigo foi escrito no âmbito de um concurso e foi publicado num fórum sobre tartarugas].

Foto 1

Se está a pensar comprar tartarugas, saiba, primeiro, que os exemplares à venda, geralmente muito pequeninos (ver foto 1), são animais que crescem bastante (ver foto 2) e necessitam de espaço para terem uma vida saudável.


Foto 2

Se ainda assim continua interessado, se o espaço não constitui um problema para si, então, comece por planear as suas instalações.

Pretende alojar a sua tartaruga no exterior ou no interior de sua casa?

Se respondeu “no exterior”, então poderá começar por construir um pequeno lago (ver foto-03). Mas saiba que esta opção é bastante dispendiosa. Embora ideal, uma vez que representará um habitat o mais natural possível, essencial para o bem-estar da tartaruga, esta escolha envolve aspectos de filtragem da água, regulação do ph, entre outros, que encarecem a sua manutenção.

Foto 3

Neste capítulo, convém referir que as tartarugas irão enfrentar factores hostis: factores animais (cães, gatos, ratos, aves) e factores ambientais (frio e calor excessivos).

Foto 4

Para evitar os factores animais, coloque vedações (ver foto 4) em três secções. Isto é, a uma altura inferior, coloque uma rede com quadrícula miúda, evitando a entrada de ratos ou outros roedores. Na continuidade desta, até uma altura de cerca de 1 metro, a quadrícula poderá ser mais larga. E no topo (ver foto 5) (importante quando as tartarugas são pequeninas), aplique uma rede fina, do tipo das que se utilizam nas estufas. Este tipo de rede, para além de negar a entrada de aves, proporciona sombras e uma ambiente sem grandes extremos de temperatura. Não descure este aspecto das vedações, pois as tartarugas são, acima de tudo, excelentes trepadoras (ver foto 6), graças às suas longas e afiadas unhas.

Foto 5

Foto 6

Quanto aos riscos ambientais, proporcionar esconderijos, sombras e zonas abrigadas das correntes de ar (ver foto 7).

Foto 7

Se, por outro lado, não tem possibilidades para construir um lago, resta a solução “interior”. Bom, neste caso, poderá optar por comprar um aquário. Mas não se precipite! Se preferir, dirija-se à vidraria mais próxima e encomende um à medida do seu desejo.

E que material escolher?

O vidro ou o acrílico. Este último é um material cheio de vantagens: ainda que um pouco mais caro, tem o peso muito reduzido e permite realizar acções pouco viáveis com o vidro. Por exemplo, poderá recorrer a dobradiças aparafusadas directamente no acrílico, facilitando a colocação de uma tampa e a sua abertura/fecho.

Duvida que esta solução resulte? Ligue o seu televisor e veja com os seus próprios olhos versões de aquários deste material em programas que desafiam os nossos maiores medos: cobras, enguias, insectos, etc.

Se não tem confiança na fiabilidade do acrílico, então só lhe resta mesmo o vidro. Ora este material é mais pesado, mas permite que as suas superfícies quase não sofram riscos, pelo menos visíveis aos nossos olhos, conferindo uma maior visibilidade perante as suas tartarugas.

Antes de avançar para a decoração, lembre-se de um factor muito importante: as tartarugas são répteis. Os répteis são animais de sangue frio que necessitam de uma exposição solar diária, de modo a regularem a sua temperatura corporal. Do mesmo modo que precisam do sol para se aquecerem, também precisam da água para arrefecerem. Portanto, tenha sempre em conta estes dois factores.

Perante esta constatação, a opção de ter um aquário de interior deverá considerar a importância da localização do aquaterrário. Este deverá estar junto a uma janela, para que a tartaruga possa apanhar banhos de sol.

Para além de permitir a autoregulação da temperatura do corpo, accionando os mecanismos vitais da tartaruga, o sol contribui ainda para a assimilação da vitamina A, indispensável para o bom desenvolvimento da carapaça e ossos. 

Uma nota: a exposição solar não deverá ter a interferência de vidros, pois estes filtram quase totalmente as radiações UV, que permitem precisamente assimilar a vitamina A.

Caso não possa obedecer a este requisito, poderá recorrer a lâmpadas especiais que emitem calor e também raios UV. O único inconveniente é que, ao fim de algum tempo, estas lâmpadas deixam de emitir estas radiações, devendo então ser substituídas.

Agora que já tem planeada as instalações da sua tartaruga, há que pensar na sua decoração. Mas, primeiro, é necessário conhecer que tipo de tartaruga pretende adquirir. É que para cada tipo, existe uma decoração específica.

As tartarugas dividem-se em terrestres, semi-aquáticas e aquáticas. Estamos a falar apenas das tartarugas de água doce, não considerando as tartarugas marinhas, obviamente.

Foto 8

As tartarugas terrestres caracterizam-se pelo seu modo de vida. A única água de que realmente precisam é para matar a sede. Se bem que, sejam basicamente vegetarianas na sua maioria, indo buscar a água de que necessitam precisamente às plantas e frutos que consomem, tenha sempre no seu aquaterrário (neste caso, o termo mais correcto, será terrário) um recipiente com água limpa. Lembre-se que este tipo de tartaruga não sabe nadar. Por isso, opte por recipientes rasos. (ver foto 8)

Na decoração, tenha em atenção a presença de plantas comestíveis, de pequenas pedras sem arestas cortantes e terra.

Quanto à higiene, retire os dejectos e mantenha o espaço da tartaruga o mais limpo possível.

Foto 9

As tartarugas semi-aquáticas alternam entre a terra e a água. Deverá, pois, o seu aquaterrário ser composto por duas partes: uma seca e outra com água. (ver foto 9)

A parte seca rege-se pelos princípios das tartarugas terrestres.

Quanto à parte molhada, a água não deverá ser muito funda e deverá ter bastantes locais de acesso à parte seca, pois estas tartarugas não são grandes nadadoras, correndo mesmo o risco de se afogarem.

Sendo que normalmente habitam zonas pantanosas, a decoração deve incluir plantas aquáticas, de preferência comestíveis, e que lhes proporcionem abrigos naturais.

Foto 10

As tartarugas aquáticas passam a maior parte do seu tempo dentro de água, alimentando-se exclusivamente nela. Apenas deixam a água para se aquecerem ao sol ou para desovarem em terra (ver foto 10) (aliás, como fazem todas as espécies de tartarugas).

A decoração deverá incidir na predominância de água, com plantas comestíveis e ilhas onde poderão subir para tomar banhos de sol, vitais para o bom funcionamento do organismo das tartarugas.

À medida que a dimensão do aquaterrário e o volume de água aumenta, constatamos a necessidade de recorrer a potentes filtros de água (ver foto 11), não só para as tartarugas aquáticas, mas também para as semi-aquáticas. Normalmente, um filtro que debite o triplo do volume de água do aquaterrário por hora é o ideal.

Foto 11

Paralelamente, regulares mudas parciais de água e o controlo do ph são fundamentais para assegurar um bom nível de higiene do líquido precioso de que depende a vida.

Após termos visto os aspectos mais importantes ligados ao alojamento das tartarugas, a decoração do aquaterrário e os cuidados de higiene, surge-nos um outro aspecto não menos importante: a alimentação.

De um modo geral, apenas encontramos à venda nas lojas de animais gammarus (camarão de água doce liofilizado) e sticks (composto multi-vitamínico de vários alimentos de origem vegetal e animal). O primeiro produto tem um valor nutritivo quase nulo. Já o segundo supera o primeiro, na medida em que são mais completos. Mas, mesmo assim, deixam muito a desejar.

Se encarnarmos as tartarugas e imaginarmo-nos no nosso habitat natural, podemos concluir que, afinal, as tartarugas possuem uma dieta muito mais variada.

No seu estado natural, existem plantas, frutos, sementes, peixes, crustáceos, insectos, pequenas aves, invertebrados (minhocas, lesmas, caracóis), entre outros, são exemplos de algumas fontes de sustento das tartarugas ricas em proteínas.

Se queremos que as nossas tartarugas tenham uma alimentação realmente boa, temos de ser nós a proporcionar-lhes a riqueza e variedade necessárias.

No entanto, tal como acontece com o homem, “tudo o que é em excesso, faz mal”. E as tartarugas também deverão obedecer à máxima “consumir com moderação”. Para isso, teremos de ser nós a impor esse comportamento, pois as tartarugas têm o instinto de comer tudo o que lhes aparece à sua frente.

Eis alguns dos alimentos mais indicados: carne de vaca (carne magra; evitar a carne de porco, pois a gordura é prejudicial às tartarugas); peixe cru (de preferência peixe de rio; arenque ou pescada); invertebrados (caracóis, lesmas e minhocas); tubifex; vegetais (espinafres, alface, cenoura); frutos (maçã, pêra, pêssego, kiwi).

Pode-se ainda administrar suplementos vitamínicos (em gotas, a colocar directamente na água ou mesmo na comida) e cálcio (em tabletes ou a partir de ovos de codorniz ou galinha).

Para concluir, antes de comprar a sua tartaruga, lembre-se que o seu aquaterrário ideal deverá obedecer à espécie da tartaruga, pois dela irão depender a decoração, os cuidados com a higiene e com a alimentação.

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