quinta-feira, 16 de maio de 2013

Final da Liga Europa: Benfica - 1 | Chelsea - 2

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51 anos depois de vencer o último troféu europeu, precisamente em Amesterdão, e 23 anos depois da última presença numa final europeia, a expectativa era grande para saber se o Benfica iria quebrar a "maldição de Béla Gutmann".


Com um ambiente fantástico no ArenA de Amesterdão, repleto de apoiantes de ambos os clubes finalistas, Benfica e Chelsea encontraram-se pela terceira vez na sua história, tendo na memória recente os jogos da época passada a contar para os quartos-de-final da Liga dos Campeões.

Recorde-se que o Benfica, após perder em sua casa por 0-1, deslocou-se a Londres para presenciar a Europa com um grande jogo de futebol, apesar de todas as contrariedades (lesões, impedimentos...) que só não terminou com um resultado mais justo devido à conjugação de "forças ocultas" e muita falta de sorte. O acabaria por vencer por 2-1, rumando "à italiana" até à final para conquistar o troféu frente ao dominador Bayern de Munique.

Depois do desaire frente ao FC Porto no fim-de-semana passado, Jorge Jesus manteve a filosofia da equipa que jogou durante quase toda a época e fez alinhar no onze inicial Artur Moraes, André Almeida, Luisão, Garay (Jardel, 77’) e Melgarejo (Ola John, 62’) no eixo defensivo; Matic, Enzo Perez, no meio; Salvio e Gaitán nas alas; e Rodrigo (Lima, 62’) e Cardozo os dois pontas-de-lança.

E foi a todo o gás que todos puderam ver o Benfica jogar desde o apito inicial, resultando num domínio avassalador pelos "encarnados".

O recital ofensivo começou logo aos 2´com Cardozo a tentar, sem sucesso, alvejar a baliza de Petr Cech. Seguiram-se as oportunidades desperdiçadas aos 10', 11' e 14', pelos jogadores do Benfica demasiado perdulários e hesitantes na hora do remate.

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Nas bancadas, os cerca de 20 mil adeptos do Benfica ofuscavam os cânticos dos apoiantes dos blues e empurravam a formação "encarnada" para uma exibição que apenas pecava pela falta de golos.

Numa tentativa de atenuar o domínio e a pressão do Benfica, o Chelsea consegue incomodar Artur no seu primeiro lance apenas aos 24'. Mas aos 37’, num erro de marcação, Lampard aproveita para proporcionar a Artur a defesa da noite, voando qual águia e, já em desequilíbrio e com uma palmada, a conseguir desviar o que seria um golo certo. Tirando estes dois lances, o que se assistia era a uma campeão europeu a defender com todos no seu meio campo, fazendo lembrar os "autocarros" que as equipas mais "pequenas" "estacionam" nos jogos da 1.ª Liga.

No segundo tempo, o Chelsea surgiu um pouco mais atrevido, mas continuava a ver-se apenas uma equipa interessada na vitória. O Benfica carregava à procura do golo e via Cech a impedir a festa dos "encarnados".

Aos 50’ a primeira explosão de alegria, prontamente interrompida. Cardozo fazia o 1-0, mas o golo era invalidado por um fora-de-jogo milimétrico. Esteve bem a equipa de arbitragem. Pouco depois, foi a vez de Salvio cabecear à figura de Cech.

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E na resposta, acontecia o impensável: Cech lança a bola para a zona central onde André Almeida falha a intercepção, seguido de Garay, a bola sobra para Torres que foge a Luisão, aguentando a carga, finta Artur, resistindo à carga e tentação de cair para o penalty e remata para o fundo da baliza, com Garay quase a conseguir interceptar.  Estava feito o 0-1, resultado totalmente injusto para o que se passava em campo.

Jorge Jesus mexeu de imediato na equipa, colocando em campo Olah John e Lima no luar de Melgarejo e Rodrigo, respectivamente. A opção de tirar Melgarejo, embora arriscada, aceita-se, mas permitiu que o Chelsea explorasse o lado direito do seu ataque a partir desse momento. O Benfica estava a perder e tinha de correr atrás do prejuízo.

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No lance seguinte, Lima recebe a bola de Olah John e remata com um defesa a defender com o braço dentro da grande área. O árbitro Björn Kuipers não teve dúvidas e apontou para o castigo máximo. Na marcação, Cardozo não vacilou e fez o empate, devolvendo justiça ao marcador (1-1).

Aos 75', nova contrariedade para o Benfica, com Garay a lesionar-se no joelho esquerdo e a obrigar JJ a esgotar as substituições, colocando no seu lugar Jardel.

Mas o Benfica voltava a estar por cima e, aos 81’, novamente Cardozo a testar a atenção Cech, com em grande remate em arco, mas com o guardião do Chelsea a "imitar" Artur com a sua defesa da noite. O jogo estava mais partido e, perto do final, Lampard  rematou fortíssimo à barra da baliza de Artur.

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Já em período de descontos, quando todos aguardavam o prolongamento, num ataque pelo lado direito, o Chelsea conquista um pontapé de canto, após a bola bater nas pernas de Jardel e sair pela linha final. Após a sua cobrança, eis que surge Ivanovic a bombear de cabeça a bola para fora do alcance de Artur, fazendo o golo da vitória do Chelsea (90'+2).

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Resultado final em 2-1. Uma história que se repete num espaço de 5 dias. Primeiro a derrota no dragão aos 90'+1, custando quase de certeza a perda do título nacional. E agora, sofrer o 2-1 aos 90'+2. Perante enorme exibição, dentro e fora do relvado, dominado pelo fair-play, nada espelha melhor esta injustiça quanto os rostos cheios de lágrimas de jogadores e adeptos da melhor equipa em campo, tal como reconheceram os próprios jogadores do Chelsea (casos de Ramirez, David Luís, Hilário, Paulo Ferreira) ou os senhores Platini e Cruyff.

Cardozo, talvez o jogador que tudo fez para marcar mais golos, Enzo Pérez, Gaitán e Rodrigo foram os que se mostraram mais inconsolados. Juntou-se-lhes de uma forma geral o resto da comitiva.
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